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Tudo sobre o Buldogue Americano > História do Bulldog Americano
História do Bulldog Americano

Esse artigo apresenta a história da raça American Bulldog baseada na versão pesquisada e documentada por DavePutnam, no livro "The Working American Bulldog".



Nota importante: Existem diversas raças modernas que foram, parcial ou inteiramente, baseadas no chamado buldogue antigo (Boxer, PitBull, DogueBourdeaux, etc). Existem algumas outras que se colocam como a própria representante atual do bulldog antigo, ou até mesmo o resgate autêntico da mesma. Nessa "disputa" para ver quem é o mais autêntico, histórias são contadas, nem sempre baseadas em fatos e evidências, e muitas vezes são baseadas apenas na pura criatividade e imaginação de quem as conta, sempre com objetivo de tornar essa ou aquela raça "lendária", "autêntica" e "cheia de glórias".


Para não cair nesse mesmo engano o Canil Totem passou alguns meses pesquisando o assunto, e coletando informações de várias fontes, livros, artigos, e inclusive do próprio Sr Johnson em pessoa, na visita feita a ele em 2002. Nossa conclusão é que a versão mais "digna" de crédito para a história do Bulldog Americano está presente no livro The Working American Bulldog. No capítulo 1 desse livro, o autor e pesquisador Dave Putnam descreve, ao longo de mais de 40 páginas, a história da raça, desde os primórdios da idade média até os dias atuais, sempre se baseando em fatos, documentos e evidências históricas. O que está mostrado abaixo é basicamente um resumo desse capítulo.


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Pelo que se sabe, a primeira vez que o nome "bulldog" é mencionado na literatura inglesa foi em 1598 (durante o reinado da Rainha Elizabeth), em um documento escrito em Latin onde Hentzner menciona haver um local em forma de teatro para lutas entre touros e "grandes cães ingleses". 


De concreto sabe-se que os bulldogs originais eram cães usados para várias atividades de trabalho, tais como captura e imobilização de touros selvagens e proteção das propriedades rurais na Inglaterra durante mais de 300/400 anos (desde o século XVI até o século XIX). Sua força, coragem e familiaridade em lhe dar com touros levou a raça a alcançar altos índices de popularidades através do esporte brutal de ataque a touros (daí o nome "bull-dog") e mais tarde em rinhas de cães e lutas com ursos. Os bulldogs fizeram tanto sucesso naqueles tempos que acabaram sendo exportados para outros países, onde vieram a participar na constiuição de várias raças, tais como o Boxer, Dogue de Boudeaux, Spanish Bulldogs, Old BullMastiff, e outras.


Bull-dog = Cão adequado ao trabalho com bois


É muito importante notar para o correto entendimento da história da história da raça, que naqueles tempos não haviam padrões para raças caninas como conhecemos hoje (tamanho, cor, etc), e virtualmente qualquer cão que fosse usado com sucesso na captura e imobilização de touros era considerado um bull-dog, não importando muito a sua aparência, cor ou tamanho. Muito menos existiam naqueles tempos os chamados pedigrees, e muito menos órgãos oficiais de cinofilia tais como o FCI, a AKC ou a CBKC. A definição da raça era então exclusivamente pela ADEQUAÇÃO do animal a uma dada tarefa (ao invés da sua aparência, como é hoje). De fato, o conceito de padrão baseado em aparência é algo inventado no século XIX, junto dos primeiros órgãos de cinofilia (UKC, AKC, etc), mas isso é outra história. Fica então fácil entender (pelo menos parcialmente) porquê nos desenhos e fotos dos séculos 17, 18 e 19 os bulldogs variavam tanto de tamanho, cor e aparência, o mesmo fato acontecendo (guardada as devidas proporções) com o Bulldog Americano atual, onde continuamos vendo uma grande variação de tamanho e cor entre as várias linhagens disponíveis. Nada difícil de se entender, considerando que a muitos criadores de bulldog americano da atualidade continuam mais preocupados com a adequação do cão ao trabalho, e menos na aparência ou conformação física do cão.




Luta (rinha) entre homem e bulldog, em 1801 - Esportes brutais como esse marcaram o começo do fim do Bulldog original na Inglaterra.

Pela metade do século 19 os bulldogs eram usados, além da captura de touros, em luta com ursos, e ainda em rinhas de cães, esporte esse muito popular naquela época. No último caso eram usados misturas de bulldog com cães terries, o que acabou dando origem ao que atualmente chamamos Pitbull, mas isso também é outra história.


O Fim das Rinhas e o Aparecimento do Bulldog Inglês Atual


Quando esses esportes brutais foram finalmente considerados ilegais na Inglaterra (1835), o tipo original do bulldog começou a desaparecer, para dar lugar, anos depois, à variedade "caricata" atual, conhecido oficialmente por Bulldog Inglês. Uma curiosidade é que nos primeiros tempos o próprio padrão do Bulldog Inglês era MUITO diferente do que vemos atualmente.


Aos poucos a comunidade de criadores de bulldog inglês passou a optar pelo exagero das formas do bulldog, dando origem, pouco a pouco, ao bulldog inglês caricaturado que conhecemos hoje, pequeno, pesado, de pernas curtas e preguiçoso, muito pouco lembrando o bulldog "original", exceto pelo "look". A foto do bulldog padrão original (quadro abaixo à esquerda) parece ter sido esquecida pela comunidade de criadores de bulldog inglês.... mas isso já é outra história e não é o ponto desse artigo.












Rosa e Crib (à esquerda) eram os Bulldogs desenhados no próprio padrão original do Bulldog Inglês Philo-Kuon English Bulldog).



A preservação do Bulldog Antigo


Podemos considerar que o bulldog "antigo" foi preservado mais ou menos intacto entre imigrantes ingleses que se instalaram nas distantes fazendas da Georgia, no sul dos EUA, pelo anos 1735 e 1840 (repare na foto ao lado, tirada no ano de 1880). Nas fazendas esses cães eram usados para quase todo o tipo de atividade de trabalho, desde a busca e captura de gado, até a guarda das fazendas, exatamente como na Inglaterra antiga.


Existem dezenas de relatos históricos (inclusive canções daquela época) levantando por Dave Putnan onde são mencionados cães brancos, fortes, de peito amplo e focinho curto, de grande bravura e resistência, usados para praticamente todas as funções possíveis numa fazenda, isso sem contar as dezenas de fotos. (Para fotos, documentos, etc veja o livro "The Working American Bulldog").


Nasce o Bulldog Americano Atual


Apesar disso, no final da Segunda Guerra Mundial, a raça estava quase extinta nos EUA, devido a misturas e a falta de cuidado dos fazendeiros, os quais não se preocupavam e nem se interessavam em manter o padrão do bulldog original. Coube ao trabalho paciente e perspicaz do Sr John D. Johnson, um veterano da II Guerra Mundial, "ressuscitar" a raça. Junto de Alan Scott, e de vários outros pequenos criadores, o Sr Johnson começou um cuidadoso trabalho de busca e identificação de cães preservados puros (mesmo que sem pedigree para comprovar tal grau de pureza) nas fazendas mais distantes do sul dos EUA (em especial na Georgia), iniciando então um trabalho cuidadoso de criação e aprimoramento do bulldog original, sempre mantendo anotações cuidadosas, bem como tentando manter todos os atributos fundamentais do bulldog original (saúde, coragem e disposição para o trabalho pesado).


 


Devido aos diversos tipos de trabalho que a raça é capaz de realizar, e os vários interesses e abordagens dos criadores, várias linhagens de bulldog americano acabaram por se desenvolver ao longo das décadas, cada uma enfatizando as características associadas a um tipo de trabalho específico.


As linhagens mais famosas são geralmente conhecidas como Johnson e Scott. Outras linhagens menos famosas incluem Margentina, Hines, e outras mais, geralmente desenvolvidas a partir de bulldogs da linhagem Scott.


Os cães Johnson, também chamados Clássico, ou Bully, são mais pesados, com cabeça maior, focinho mais curto, e um prognatismo mais bem definido. Os cães Scott, também conhecidos por Standard, bem como os das demais linhagens, são mais leves em termos de musculatura e peso dos ossos que os cães Johnson, sendo geralmente mais apropriados para formas de trabalho do tipo caça de javalis e outras tantas.


À direita a foto do cão Bugsy Halloway, típico cão da linhagem Johnson/Clássico.


Aqui no Canil Totem American Bulldogs nossa preferência é pela linhagem Johnson, exclusivamente.


O moderno bulldog americano continua a servir como cão-para-todo-tipo-de-trabalho; um cão de grande coragem e temperamento estável; e ainda, e principalmente, uma companhia leal para a família.









Bulldog Americano: Um cão versátil




(a) Apresentando-se em exposição de beleza (b) Agility e (c) Tração



(d) Com a sua família (e) Proteção e ataque e (f) Caçando javalis selvagens


Por ser uma raça relativamente nova, e que passou as décadas iniciais desse século no "anonimato", e sem controle de órgãos internacionais de cinofilia (lembre-se que os fazendeiros do sul dos EUA não estavam interessados em pedigrees, e sim em cães que pudessem trabalhar), a raça ainda não é reconhecida oficialmente pelos órgãos de cinofilia mais tradicionais, como o FCI e a AKC.


No Brasil, onde a CBKC acompanha o esquema da FCI, a raça está registrada no Grupo 11 (raças ainda não reconhecidas pelo FCI), tendo direito ao pedigree cor vermelho claro. Cães dessa raça participam normalmente das exposições de cinofilia brasileira dentro do Grupo 11. Ao lado foto do American Bulldog Hendrix "Spike" D´Maximus, Campeão, Grande Campeão e Campeão Pan-Americano. Melhor bulldogue americano do ranking da CBKC no ano de 2002.

<p>Nota do Totem: O texto apresentado nessa página é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores. Anexe seu comentário sobre o artigo ou entre em contato direto com o autor para sugestões, dúvidas ou reclamações.</p>
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